João Paulo: assistência social próxima e integrada ao emprego
Em entrevista à Folha do Acre na Expoacre 2026, o secretário João Paulo Silva defendeu uma assistência social mais próxima da população e a integração entre programas sociais e oportunidades de emprego e renda.
Em entrevista à Folha do Acre na Expoacre 2026, o secretário João Paulo Silva defendeu uma assistência social mais próxima da população e a integração entre programas sociais e oportunidades de emprego e renda.
João Paulo defende assistência social próxima à população e integração entre programas sociais e emprego
O secretário de Estado de Direitos Humanos e Assistência Social, João Paulo Silva, afirmou, durante entrevista à Folha do Acre na Expoacre 2026, que sua principal marca à frente da pasta tem sido aproximar a estrutura do governo das comunidades e transformar a assistência social em uma política pública mais presente no cotidiano da população.
Com cerca de 130 dias à frente da secretaria, João Paulo disse que decidiu tirar a estrutura da lógica exclusivamente burocrática e levar as ações para os territórios. Segundo ele, a prioridade é ouvir diretamente as famílias e acompanhar situações de vulnerabilidade.
Ouvir antes de entregar: a lógica da assistência nos territórios
O secretário citou como exemplo o acompanhamento de famílias atingidas por incêndios, tragédias e outras situações de emergência. Para ele, a atuação da secretaria não pode se limitar à entrega de benefícios ou equipamentos.
"Só é entregar um sacolão, só é entregar uma cadeira de rodas? Não. É ouvir, conversar, dialogar, ver de que maneira a política pública está chegando na ponta."
Essa abordagem, segundo João Paulo, exige presença constante nos bairros e regiões onde a vulnerabilidade é mais aguda. A ideia é que o Estado saia do gabinete e vá até quem precisa.
Cozinhas solidárias: segurança alimentar na prática
João Paulo também destacou o trabalho desenvolvido por meio das cozinhas solidárias, voltadas à oferta de refeições para famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo o secretário, Rio Branco já conta com unidades que distribuem centenas de refeições diariamente.
Ele citou cozinhas instaladas no Bairro da Paz e região do Habitasa, além da implantação de uma nova unidade na Cidade do Povo. A política, segundo ele, envolve articulação entre o governo estadual, municípios, governo federal e organizações que atuam diretamente nos territórios.
Para o secretário, a fome não pode ser tratada como uma questão secundária ou reduzida a discursos políticos.
"Só sabe a dor da fome quem já passou. Só sabe a dor da miséria quem já viveu."
Programas sociais e emprego: a ponte para a autonomia
João Paulo também criticou o preconceito existente em relação aos programas sociais. Na avaliação dele, os benefícios devem ser entendidos como instrumentos de proteção para pessoas que enfrentam situações de vulnerabilidade.
"Os programas sociais, eles são importantes. Agora, o que nós, governos, temos que fazer é acoplar o programa social à oportunidade de emprego e renda."
Na entrevista, o secretário defendeu que as políticas de assistência sejam acompanhadas de oportunidades para que as famílias possam conquistar autonomia financeira.
Segundo João Paulo, o Estado precisa criar condições para que pessoas em situação de vulnerabilidade possam acessar o mercado de trabalho sem que isso signifique retirar, de forma abrupta, mecanismos de proteção social.
"Quando tu faz isso, tu oportuniza um pai, tu oportuniza uma mãe."
Ele citou ainda situações em que pessoas procuram oportunidades de trabalho em condições precárias por estarem submetidas a extrema vulnerabilidade.
"Quando você vê uma pessoa dizendo assim, 'eu quero trabalhar, me paga qualquer coisa', ela está reivindicando um direito que é assegurado pelo direito do trabalho."
Para o secretário, a superação da pobreza passa pela combinação entre proteção social, segurança alimentar e desenvolvimento econômico.
"Nós temos que lutar por uma área que tenha, sim, a oportunidade de emprego. Porque aí nós vamos mudar a história e virar a página, de fato, trazer um novo cenário econômico para o nosso Estado."
Infraestrutura não substitui políticas sociais
João Paulo também questionou a prioridade dada exclusivamente a grandes obras de infraestrutura quando parte da população ainda enfrenta dificuldades para garantir alimentação e renda.
Ao comentar a realidade social do Acre, ele defendeu que o planejamento público tenha as pessoas como centro das decisões.
"O que adianta nós termos um viaduto? O que adianta nós termos pontes modernas se nós não temos as pessoas trabalhando?"
Para ele, a construção de uma sociedade menos desigual depende de políticas capazes de garantir condições mínimas de vida e dignidade.
"O que nós precisamos primeiro ter é as pessoas trabalhando. Por isso que hoje nós lutamos para tentar ter pessoas trabalhando e ter condição de poder alimentar a sua família e ter dignidade."
Expansão para os municípios e descentralização
O secretário também defendeu a expansão das políticas de segurança alimentar para além da capital. Segundo ele, o objetivo é ampliar a participação dos municípios e descentralizar a execução das ações.
João Paulo afirmou que sete prefeituras já aderiram às iniciativas e que o governo trabalha para viabilizar repasses aos municípios.
A estratégia, segundo ele, é fazer com que os recursos e as políticas públicas cheguem diretamente às comunidades.
"O papel do político é chegar na conta das pessoas. Então a gente todos temos que administrar e ter esse link direto com as pessoas, e ouvir as pessoas."
Expoacre 2026: espaço para o pequeno produtor
Durante a entrevista, João Paulo também avaliou a estrutura da Expoacre 2026. Para ele, uma das mudanças positivas desta edição foi a maior presença de pequenos empreendedores e produtores dentro do parque.
O secretário destacou que a redução do espaço institucional ocupado pelo governo permitiu ampliar a participação de empresários e produtores locais.
"Esse ano você viu muito, você viu o pequeno dentro do parque, aquele que produz, muitas vezes na cozinha da sua casa."
João Paulo afirmou que a feira permitiu revelar produtos e iniciativas que ainda são pouco conhecidos pelo próprio público acreano. Na avaliação dele, a participação de pequenos produtores deve ser ampliada nas próximas edições.
"Nós temos que oportunizar essas pessoas."
Para o secretário, a aproximação entre governo, empreendedores e população pode contribuir para transformar a feira em uma vitrine ainda maior da produção local.
Legado: presença nos territórios
Ao encerrar a entrevista, João Paulo reforçou que pretende deixar como principal legado do período à frente da secretaria uma gestão marcada pela presença nos territórios e pela defesa de políticas públicas voltadas diretamente às pessoas.
Perguntas Frequentes
O que João Paulo Silva defendeu na entrevista à Folha do Acre?
Ele defendeu uma assistência social mais próxima da população, com ações nos territórios e integração entre programas sociais e oportunidades de emprego e renda.
Quais exemplos de ações foram citados pelo secretário?
Foram citadas as cozinhas solidárias em Rio Branco, com unidades no Bairro da Paz, região do Habitasa e Cidade do Povo, além do acompanhamento de famílias atingidas por emergências.
Como o secretário vê a relação entre programas sociais e emprego?
Ele defende que os programas sociais devem ser acoplados a oportunidades de trabalho e renda, para que as famílias conquistem autonomia financeira sem perder a proteção social de forma abrupta.
Qual a posição sobre grandes obras de infraestrutura?
João Paulo questionou a prioridade exclusiva a obras como viadutos e pontes, defendendo que o planejamento público tenha as pessoas como centro, garantindo trabalho e dignidade.
O que foi dito sobre a Expoacre 2026?
O secretário elogiou a maior presença de pequenos empreendedores e produtores no parque, resultado da redução do espaço institucional do governo, e defendeu ampliar essa participação nas próximas edições.
Bruno Yamashiro
Análises independentes sobre maquininhas, pagamentos e empreendedorismo no Brasil. Conteúdo editorial sem viés comercial.
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